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Ricardo Rayol

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Ricardo Rayol

May 03

Encantado

Doces cantos me envolvem,
mulher-sereia,
que, das batidas rochas, hipnotiza-me,
em desejos.

Atiro-me, louco, na água,
pela voz nado guiado,
procuro teu ventre,
a concha tão desejada,
receptáculo de insondáveis prazeres.

Verte-me, teu mar, teu sal,
bebo-te, sugo-te,
afogo-me em cada gota,
atraia-me, com seu doce canto,
misteriosa,
encontro em teu corpo mítico,
meu delírio.

Oferte-se em luxúria,
abriga-me o rijo falo,
em deliciosa agonia penetro-te,
giramo-nos como serpentes marinhas,
esfregamos nossos corpos,
unos,
seja perfeita essa harmonia profana,
gozamos em desvario
morro feliz, desejado,
afogado.

Escrevi isso para alguém muito especial.
February 04

National Kid e as ninfas de Urânus - Capítulo 5

É sabido que mamas-san são as mais confiáveis guardiãs de segredos do universo. A profissão ao qual consagraram sua vida não permite deslizes. O Imperador Hiroito, juntamente com o paladino da paz e da justiça intergaláctica, National Kid, optaram por essas adoráveis senhoras quando precisaram esconder o livro vermelho.

A mama-san, da filial brasileira, estava nessa atividade há décadas. Conhecia a todos os influentes e bem-nascidos da sociedade local. Tinha um time de gueixas de primeiríssima qualidade, disputadas a peso de ouro. Apesar de toda a movimentação ao redor de sua boate, a “LovYou”, vivia em um confortável e pequeno apartamento. Somente os líderes de cada enclave sabiam de sua identidade secreta.

Onofre Tiako, pela urgência e pela momentânea incapacidade de se locomover, partilhou esta informação com seus amigos, Godofredo Takakura, Steinberg Kioko, e Eulália Yukio. Steinberg pilotava o Fiat 147, em disparada, com destreza. Uma hora depois estavam no coração do Bairro da Liberdade. Com uma freada súbita pararam. Apesar do constante movimento de clientes, dioturnamente, a rua estava deserta. O neon piscava, sinistro. Não havia o mais simples mortal ao alcance da visão. “Onde estarão todos”, perguntaram-se. Nem bêbados estavam por ali. Sacando de suas potentes pistolas laser, cautelosamente se aproximaram da porta. Apenas o som da música, mas nada de risadas e gemidos de prazer, marcas registradas daquela casa de tolerância. O terror assaltou os 4 amigos. Uma cena de indescritível violência encheu-lhes os olhos. Corpos retalhados e retorcidos jaziam no chão, nas mesas, nas cadeiras, no palco.

“Fomos traídos”, exclamou Onofre...

Jenna e suas ninfas anais retornaram ao esconderijo secreto, nos montes Urais, onde Giabra, o gigantesco Dog Alemão, serviu de brinquedo para mais um orgíaco ritual de vitória uraniana. Depois de saciadas, se reuniram para planejar os próximos passos em seu plano maquiavélico de destruição da raça humana. “Precisamos de capangas”, disse a loira. Lembraram-se dos temíveis dominantes, uma raça de vigilantes espaciais que renegaram os ensinamentos de paz e liberdade e se tornaram mercenários. “Temos um servicinho para vocês”, disse Jenna no seu inter-comunicador espacial. “Não cobramos barato”, disse Moe, o líder dos dominantes. “Dinheiro não é problema”, finalizou a loira. Moe chamou seus sub-comandantes, Larry e Curly, e juntamente com seus pelotões suicidas saíram para cumprir a primeira missão, paga, dos dominantes, roubar o livro vermelho.

Enquanto isso na boate “LovYou”, Onofre e seus amigos começaram a procurar a mama-san, ignorando alguns feridos que imploravam por ajuda. O treinamento nos altos cumes japoneses tinha endurecido os corações dos ninjas. A salvação da Terra, como bastião da liberdade e da harmonia, era prioridade. Encontraram-na, moribunda, em meio a uma pilha de inimigos. “Onde está o livro”, perguntou Onofre, desesperado, enquanto sacudia a combalida velhinha. Gemendo de dor, mama-san entregou a chave do cofre e disse apenas uma única e enigmática palavra, suspirou e morreu.

Eulália, em pânico, começou a gritar, em histeria, “Bigorna? Mas que raios cósmicos é bigorna? Pelo sagrado cume interessa, mas que merda é essa?”. Godofredo aplicou-lhe uma bofetada. Eulália gemeu e, em espasmos, alcançou um convulsivo orgasmo devastador. Enquanto seu corpo era tomado por seguidas ondas de prazer, os outros pensavam no que raios dos infernos celestiais significaria “bigorna”.

Mas um auxílio inesperado iria aparecer...

National Kid e as ninfas de Urânus - Capítulo 4

Quando formada, os Amigos do National Kid optaram pelas artes marciais como forma de se defender dos seus inimigos. Apesar dos ensinamentos de paz e harmonia, do professor Massao Hata, seus ex-alunos procuraram, nos cumes japoneses, escolas de Nin-jitsu. Estudaram e praticaram com afinco até se tornarem mestres supremos nessa milenar arte de matar seres humanos.

O interrogatório dos participantes da bacanal foi levado com extremo profissionalismo. Aqueles que estavam atordoados foram submetidos à dedada, técnica de relaxamento e que, porém, provocava amnésia. Em alguns dos interrogados era difícil encontrar o ponto N. Gastaram um tempo enorme procurando-o na obesa mórbida, conhecida como irmã do Jaba, The Hutt, e no DJ, que revirava os olhos para os ninjas saradões. O deus de ébano foi particularmente complicado. Chorando de vergonha, não admitia mais ser tocado por nenhum homem. Somente quando uma ninja o dedou ele relaxou.

Aqueles não tão afetados foram unânimes em afirmar que não tinham bebido ou usado drogas e que nunca tinham transado com alguém do mesmo sexo. Porém, 95% disseram que gostaram da experiência. O líder do grupo de contenção, Vilfredo Tomohiro, imediatamente alertou o comando central.

Enquanto isso, no planeta Urânus, o magno-orifício, comandante Zandor, recebia o primeiro relatório das ninfas anais. Gostou do que leu, suspirou e voltou a dormir, em companhia do general Zorg. Na Terra, a estonteante loira, Jenna, a líder das ninfas, desligou seu comunicador. Suspirou aliviada. Não previra uma intervenção tão rápida dos paladinos da Terra. “Malditos japas”, exclamou. Junto com as outras 14 ninfas rumaram para sua base secreta, nos montes Urais, onde Giabra, o gigantesco Dog Alemão, presente dos Zarrocos do Espaço e geneticamente modificado para proporcionar todo o prazer às guerreiras, iria fazer a festa.

Naquele mesmo momento, Onofre estava sedado. A dor nos ovos tinha se transformado em um inchaço tremendo e era impossível articular alguma reação. Em meio às brumas do éter pensava. Flashes espocavam em sua mente sagaz. A cena de Eulália estava bem gravada no fundo da memória. Tentava se concentrar nas 3 terroristas. Em silêncio mentalizava o mantra sagrado da fraternidade “Awita, Awita, Awita”. A paz do mantra trouxe-lhe a luz. Identificou os sinais, que sua mente altamente treinada de ninja havia captado e gravado no seu subconsciente. “Pela sagrada capa”, exclamou, levantando-se do leito em que repousava. “São as perversas ninfas anais”, gritou, virando-se de lado, acometido de uma súbita onda de dor no baixo ventre. “Aquele maldito Zandor deve estar por trás, quer dizer, Zorg deve estar por trás de Zandor que está por trás das ninfas”, concluiu Steinberg Kioko. “Devemos abrir o livro vermelho”, completou simplesmente Onofre, em meio a gemidos de dor.

O livro vermelho era guardado a sete chaves em um cofre subterrâneo. Lá estavam todas as diretrizes interplanetárias para enfrentar qualquer situação imaginada. Certamente a conduta para reprimir ataques terroristas estaria lá. Sua localização era de conhecimento apenas da mama-san local, de cada enclave satélite. O livro nunca havia sido utilizado antes. Conduzido em uma cadeira de rodas, Onofre e seus amigos foram até a residência da mama-san, atrás do inferninho “LovYou”.

Mas uma surpresa os assombrou...

National Kid e as ninfas de Urânus - Capítulo 3

Quando o paladino da justiça galáctica, National Kid, retornou para as estrelas, o enclave alienígena foi designado para proteger a Terra do interesse de diversas raças planetárias. Klingons, Borgs, Incas Venusianos, todos eles queriam tirar uma casquinha. E ninguém ainda descobrira o motivo de tamanha sede de conquista. Uma sacada genial do líder da comunidade, Imperador Hiroito, possibilitou a criação dos Amigos do National Kid. Tornaram-se então os defensores das liberdades individuais e coletivas da Terra. E diversos enclaves satélites foram criados ao seu redor. A fraternidade prosperou.

Onofre Tiako, ainda zonzo da bebida e da dor nos ovos, tentava identificar a origem do zumbido, em meio à multidão de copuladores enlouquecidos. O seu treinamento ninja dizia que devia procurar algo completamente inusitado. Olhou para o DJ, que neste momento era a locomotiva de um extenso trem de bailarinos sarados. “Não, não era ele”, pensou. Viu uma mulher de cabelos vermelhos, obesa mórbida, enroscada com 5 morenas de fechar o comércio. “Não, também não é ela”. Finalmente descobriu. Perto do palco do DJ, 3 das mulheres mais maravilhosas que já tinha visto olhavam tudo, impávidas, com seus Ipods nos ouvidos e com um estranho aparelho, em formato fálico, nas mãos. Isso sim era inusitado. Onofre percebeu então que eram as mesmas que o haviam rejeitado de forma contundente. “Eu sabia”, pensou. Rapidamente reuniu seus amigos e partiram para a ação.

A dificuldade maior não seria dominar as terroristas. Era impossível atravessar a pista repleta de corpos nus. Eulália Yukio até que tentou, mas foi subitamente dominada por duas ruivas tatuadas e submetida a torturas indizíveis por outras 4 mulheres. Os outros não puderam fazer nada. Eulália os impediu aos gritos. “não se aproximem, eu dou conta”, esbravejava em gemidos. Tentando dar a volta, esbarraram com o trem capitaneado pelo DJ, que apitava animadamente, com todos os homens engatados. O ultimo “vagão” ainda tentou engatar Godofredo Takakura atrás, mas foi inútil.

Subitamente, percebendo a ação de Onofre e seus amigos, as 3 terroristas se retiraram. O zumbido sumiu e, assim, a influência sobre os participantes daquela monstruosa bacanal. Todos voltaram a si, nos mais variados graus de confusão. O DJ, surpreso, calou-se em meio a mais uma apitada. “Vamos lá gente, ainda faltam 10 voltas pra chegar na estação”, gritou histérico. Eulália, cercada pelas 6 mulheres, tirou sua pistola laser, não se sabe de onde, e, gritando, disse que mataria a primeira que parasse de fazer o que estava fazendo. Estavam todos envergonhados. Alguns mais desesperados, pegaram suas roupas e saíram correndo. Um gigantesco deus de ébano chorava desconsolado, “isso nunca aconteceu comigo”, lamentava-se. Foi amparado por sua mulher, ainda gemendo em convulsões.

Onofre apertou um botão em seu relógio, disparando um alarme planetário. O som de helicópteros preencheu o ar e dezenas de ninjas cercaram o local. Teriam que interrogar cada um dos presentes. Onofre tirou Eulália do meio da confusão, aplicou-lhe uma dedada em local secreto e ela voltou ao normal. “Temos que nos reunir imediatamente”, rosnou. Deixando o trabalho sujo para os outros dirigiram-se, céleres, para a filial da fraternidade, onde outros membros já estavam aguardando instruções.

Somente os anos de aprendizado ninja, nos mais altos cumes japoneses, poderiam ajudá-los nessa hora de terror. Seria necessário abrir o livro vermelho?

National Kid e as ninfas de Urânus - Capítulo 2

As três mulheres haviam chegado à pouco na rua. Vieram de taxi até o centro da balada. Evitaram barzinhos da moda. Não resistiam a uma caipirinha e, quando bebiam, eram tomadas por um furor uterino insano. Ocupadas com seus transmissores, disfarçados de rudimentares Ipods, as ninfas de Urânus queriam sangue.

Viajaram distancias estelares, com o objetivo claro de dominar a terra, as 15 ninfas anais, corpo de elite da sociedade uraniana. Submeter os humanos as leis de seu planeta natal, localizado na estrela Trasercu, quase no centro da galáxia do quadrante beta, conhecida como A Galáxia do Olho Negro. Os terrenianos, como eram chamados pelas ninfas, tinham uma dívida profunda que sequer sabiam.

O plano macabro, engendrado pelo alto comissariado, era semear a discórdia através de ações terroristas. Nada mais apropriado do que começar por um local onde jovens loucos dançassem freneticamente. As ações seguintes se desenrolariam com o andar dos acontecimentos.

Onofre Tiako era um ninja sagaz. Proficiente, em diversas artes marciais e formas assassinas de matar um ser humano, foi destacado para atuar no Brasil, próximo à colônia japonesa local. Não sabiam, os brasileiros, que o Japão na verdade era um enclave alienígena com o intuito de preservar a Terra dos povos conquistadores do universo. Ninguém sabia a razão. Com seus amigos e confrades, Godofredo Takakura, Steinberg Kioko, e Eulália Yukio, foi se divertir naquela noite. Como todo ninja, era sensível à bebidas não autorizadas pelo Supremo Holístico Interdepartamental Tratado – SHIT, e após um gole ficou completamente louco. Vagamente lembrava-se de ter tentado conquistar uma estonteante loira, acompanhada de duas mulheres que não podiam ser desse planeta. Só lembrava do chute, a dor excruciante que adentrou seu corpo e a humilhação que sentiu.

Enquanto tentava se recuperar ouviu um zumbido, um som que só os Amigos do National Kid podiam identificar. No meio da névoa e da dor correu, cambaleante, em direção a origem. O que viu o deixou apavorado. Corpos semi-despidos se chocavam em histeria. Homem com homem, mulher com mulher, contrariando uma das leis máximas da fraternidade, criada pelo falecido conselheiro TIM Maia, copulavam violentamente. Um vexame total.

Mas o pior ainda estava por vir...

National Kid e as ninfas de Urânus - Capítulo 1

Depois de salvar a terra da destruição, National Kid retornou para seu lar, na estrela Alfa-Centauri. O seu legado de paz e harmonia entre os povos abençoou os seus ex-alunos por décadas. Até que um dia....

Era pouco mais de 2 da manhã daquele chuvoso sábado. A pista de dança bombava. Ondas de corpos suados, exalando a sensualidade característica de jovens sedentos e sequiosos, se enroscavam em um frenesi de luzes e cores. Onofre Tiako, completamente bêbado, comemorava. Apesar da rigidez do código samurai que seguia, sua nomeação para o posto de conselheiro-ninja magno do braço brasileiro da fraternidade secreta Amigos do National Kid era motivo de júbilo. Entre a embaçada névoa etílica, observava. Viu, ao fundo, uma loira, só. “Uma presa fácil para meus poderosos dotes ninja”, pensou. Logo estava ao seu lado e começou um discurso engrolado sem sentido, pontuado por “banzais”. A loira, apesar do barulho provocado pela música, estava com os headphones do seu Ipod nos ouvidos. “Estranho, muito estranho”, tergiversou Onofre. Tentou chamar a atenção dela com mímicas. Mas os movimentos que fazia, simulando uma dança, não despertaram o interesse. Tentou alguns outros. Até que colocou a mão no bolso. A loira imediatamente olhou para ele e, sem falar nada, deu-lhe um fortíssimo tapa na cara. Seu amigo, Godofredo Takakura, rindo de se acabar, veio ao seu socorro. O sangue escorria pelo nariz de Tiako. “Maldita gaijin, desgraçada filha da mãe”, cuspiu.

A loira ainda estava impressionada com a situação. Dirigiu-se ao banheiro, em companhia de suas amigas, uma morena e uma ruiva. “Porra, o japa tava doidão”, exclamou. “Ai amiga”, disse a morena estonteante, “Não combinamos que não íamos chamar a atenção? Esqueceu da nossa missão?”. “Claro que não, né? Mas o que eu podia fazer com um japa fingindo que estava me comendo? Sorte a dele que eu não estava com minha pistola laser”, respondeu. Imediatamente um bipe soou nos 3 Ipods. “Temos que correr”, disse a ruiva já saindo do mictório. Deram de cara com Onofre. Ainda puto. Ainda sangrando. Mas bêbado, ao invés de aplicar uma das vinganças aprendida nos altos cumes japoneses, perguntou, olhos brilhantes, à queima-roupa, “Podemos fazer uma suruba, loira-sama?”. Um chute de bico, no saco, foi a resposta. O uivo de agonia e dor foi abafado pelo som batido da Acid-Music. Cambaleando, Onofre saiu amparado por seu amigo, braço direito na fraternidade, seguidos da risada histérica das pessoas que presenciaram a cena.

Riram, mas não por muito tempo....
 
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